Refletindo sobre perdão e reconciliação no Canadá

  • Fevereiro 28, 2020

Refletindo sobre perdão e reconciliação no Canadá

  • Fevereiro 28, 2020

Perdão e reconciliação são questões com as quais todos os membros da Igreja Anglicana precisam se debruçar, disse a nova líder da Igreja do Canadá, Arcebispa Linda Nicholls. Ela acredita que a Lambeth Conference pode desempenhar um papel importante no enfrentamento dessas questões em um cenário global.

Nicholls foi eleita no verão passado como Primaz da Igreja do Canadá, substituindo o Arcebispo Fred Hiltz. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo na história da Comunhão Anglicana, e apenas a segunda Primaz feminina.

Ex-Bispa da Diocese de Huron, a Arcebispa participará de sua segunda Lambeth Conference este ano.
Ela disse: “Eu havia acabado de me tornar bispa quando tive o privilégio de estar na Lambeth Conference em 2008. A melhor parte disso é a oportunidade de encontrar bispos(as) de toda a Comunhão para ouvir como a igreja vive em lugares sobre os quais simplesmente não ouvimos falar muito.” Ela acrescenta que ouvir histórias de bispos e bispas do Sudão do Sul, que fogem da violência e lutam para sobreviver, fez seus próprios problemas parecerem menores em comparação.

Nicholls espera que esta Lambeth Conference fale sobre as experiências comuns dos participantes e sobre as coisas que afetam toda a comunhão e o mundo inteiro: “Podemos dizer algo juntos, porque somos uma comunhão global e temos a oportunidade de nos engajar para mudar a vida das pessoas para o bem comum… Precisamos dizer em voz alta algumas coisas sobre os problemas que afetam a todos nós.”

A Arcebispa descreve-se como uma teóloga prática comprometida em apoiar as pessoas enquanto se debruçam sobre a fé e como ela se manifesta na vida e na sociedade.

Nos últimos 30 a 40 anos, a igreja canadense tem refletido profundamente sobre seu relacionamento com os povos indígenas. “Parte desse relacionamento envolve enfrentar a realidade de que, como parte da colonização, chegamos e inicialmente estabelecemos tratados, mas depois rapidamente tomamos suas terras”, explicou a Arcebispa.

Ela acrescenta: “temos uma responsabilidade contínua de trabalhar com os povos indígenas e com nosso governo para corrigir algumas das injustiças, porque ainda existem tratados que não foram cumpridos e reivindicações de tratados em andamento que não foram resolvidas.”

“A Igreja Anglicana do Canadá está profundamente comprometida com a reconciliação e a cura com os povos indígenas – estamos trabalhando duro e caminhando juntos com os povos indígenas dentro da Igreja Anglicana do Canadá na busca de cura e reconciliação, liderados por eles, não por nós.”

Ela disse ainda que o perdão e a reconciliação são fundamentais quando as pessoas começam a se conscientizar da profundidade do envolvimento da igreja nas injustiças praticadas contra os povos indígenas. Um pedido de desculpas do ex-Arcebispo Michael Peers foi um lembrete de que a igreja precisa chamar as pessoas para Cristo. “Mas depende de Cristo dizer como eles serão chamados e como isso pode se manifestar na adoração, e não é nosso dever refazê-los à nossa imagem colonial. E isso levou a igreja a se ajoelhar, dizendo que temos que trabalhar na reconciliação”, explica.

“Nosso compromisso é com o perdão e a reconciliação que são possíveis em Cristo, mas isso tem um alto custo de vulnerabilidade e humildade para a comunidade não-indígena.”

A Arcebispa acredita que os anglicanos de todo o mundo enfrentam problemas semelhantes.
“Todos nós temos lugares dentro de nós onde assumimos que temos poder por causa de algo, seja idioma, raça, cor, educação, economia… E o desequilíbrio de poder está no cerne do que era a colonização – era um desequilíbrio de poder, um desequilíbrio nos relacionamentos e uma presunção de superioridade, baseados, no nosso caso, em ser brancos e europeus, mas que também podem ser baseados em muitas outras coisas.

“Uma das coisas com as quais estou comprometendo a Igreja Anglicana do Canadá é observar como o racismo está profundamente enraizado, e precisamos abordar isso.”

Sobre suas perspectivas para a Lambeth Conference, reflete: “Estou convencida da importância de nos reunirmos, sentar-nos uns com os outros e ouvir profundamente uns aos outros.

“Acho que a Lambeth Conference é uma imagem e um símbolo de como precisamos escutar para encontrar uma maneira de viver juntos em comunidade, e acho que é um símbolo do que o mundo em geral precisa.”