“A mudança começa aqui, entre nós, bispos”

Ser sal e luz tem um custo e é um papel crítico para a igreja, segundo o Secretário-Geral da Comunhão Anglicana.

Um antigo bispo nigeriano e arcebispo, Josiah Idowu-Fearon, é o Secretário-Geral da Comunhão Anglicana. O seu papel, que tem desempenhado nos últimos seis anos, dá-lhe a oportunidade de visitar várias partes da Comunhão, reunindo um amplo panorama da vida na Comunhão Anglicana em todo o mundo.

Josias falou com a equipa da Conferência de Lambeth sobre como a Igreja pode fazer a diferença quando enfrenta questões como a corrupção.

“Sal é sal, seja em Inglaterra, seja na Finlândia ou onde quer que seja, sal é sal, luz é luz”. Se se vive numa sociedade predominantemente religiosa, que é a maior parte do Sul global, muitas pessoas levam as suas religiões muito a sério. Ser sal significa que temos de nos destacar… Somos chamados a desafiar a nossa sociedade e a impedir que a nossa sociedade se corrompa e isso não é fácil”.

Josias acredita que a igreja não se pronuncia suficientemente contra questões como a corrupção.
“Porque não falamos de corrupção? Por que não falamos de superioridade, de uso indevido do poder? Porque oprimimos as pessoas pobres da igreja? Por que não nos pronunciamos contra isso? Não se pode ser sal num lugar, e depois deixa-se de ser quem se é, o que se é chamado a ser, noutra situação”.

“Se somos a luz do mundo, Jesus é a luz do mundo e chamou-nos, deu-nos essa responsabilidade de que o devemos reflectir. Porque não o fazemos? Porque é que quando se chega a um lugar onde há corrupção, ninguém vê qualquer diferença? Portanto, é um desafio. E é muito humilhante”, disse Josias.

“Se queremos realmente ser representantes do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, não podemos escolher se está errado, como sal ou luz, as pessoas devem saber”. Se olharmos para a igreja, há alguma diferença entre o que se passa na igreja e o que se passa fora dela? Os nossos membros fazem alguma diferença na política, no mundo dos negócios…. Temos muito a pedir ao Senhor para mudar em nós. E tem de começar em nós como bispos”.

“Quando eu estava na Nigéria, pouco antes de me reformar, tivemos uma eleição em 2014 e um jovem bispo, que tinha acabado de ser eleito, partilhou connosco uma experiência na reunião episcopal. Ele disse que o tesoureiro da sua diocese concorreu a um lugar electivo no seu estado natal. E ele ganhou. A pessoa da outra parte contestou isso em tribunal. E o caso foi levado para a capital Abuja. Tinham filmagens para mostrar que não houve eleições na maioria dos locais. E, no entanto, este membro cristão anglicano ganhou as eleições. Assim, o caso chegou ao bispo, ele era um jovem bispo, e viu todas as provas e depois chamou esta pessoa e disse,
“Olha, irmão, não tens caso”. ‘Sabe’, disse ao bispo, ‘Bispo, igreja é igreja, e política é política’. O bispo disse: ‘Nesse caso, lamento, mas tem de se demitir do cargo de tesoureiro’. Isso é o sal da terra”.


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