A diversidade linguística e cultural da Comunhão Anglicana

O Reverendo Jorge Pina Cabral é o Bispo da Igreja Lusitana (Portugal). É membro do Colégio dos Bispos Anglicanos da Europa Continental (COABICE) e Coordenador da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana. Faz também parte do Grupo Diretor da Fase 3 da Lambeth Conference. Como parte da nossa série “Ser Anglicano”, o Dr. Jorge partilha as suas perspectivas sobre a diversidade de línguas e culturas da Comunhão Anglicana.


A família das Igrejas da Comunhão Anglicana é rica e plural na diversidade de línguas e culturas que abrange. Na Europa continental o Anglicanismo está historicamente presente através de quatro jurisdições que abrangendo os diversos países europeus procuram testemunhar uma fé inculturada e aberta ao diálogo e à cooperação ecuménica e inter-religiosa. Estas quatro jurisdições (Diocese Inglesa na Europa, Convocação Americana-Episcopal na Europa, Igreja Lusitana-Portugal e Igreja Espanhola Reformada Episcopal) celebram a fé em diferentes línguas e de acordo com diferentes tradições litúrgicas. São Igrejas Anglicanas em comunhão com a Sé de Cantuária, que trazem para a Missão contribuições distintas em eclesiologia, espiritualidade, teologia e liturgia.

No respeito pela história própria de cada Igreja e do seu próprio contexto cultural, as Igrejas Anglicanas procuram assim, conhecer-se melhor buscando uma maior partilha de dons e recursos espirituais, humanos e materiais. A vivencia e aceitação da diversidade no seu seio, tem também capacitado as Igrejas Anglicanas a estabelecer um crescente compromisso ecuménico com outras Igrejas e acordos de comunhão plena quer com as Igrejas da Comunhão Velho Católica de Utreque quer mais recentemente com as Igrejas Luteranas da Comunhão de Porvoo. São desenvolvimentos ecuménicos importantes para a Missão conjunta de proclamar as Boas Novas de Nosso Senhor Jesus Cristo numa Europa crescentemente secularizada. A aceitação da unidade na diversidade capacita cada vez mais as Igrejas Anglicanas a serem «igrejas ponte» cumprindo assim a sua vocação ecuménica.

Sendo Igrejas minoritárias no contexto social e religioso Europeu, as Igrejas Anglicanas têm aprendido com humildade a ser sal, luz e fermento desenvolvendo ministérios junto dos vulneráveis e marginalizados e recentemente e de uma forma comprometida apoiando os refugiados que buscam a Europa para a sua própria salvação e sobrevivência humana. Fiéis também à sua vocação profética as diferentes Igrejas Anglicanas na Europa Continental têm levantado a sua voz nos seus próprios contextos na denuncia de forças políticas autoritárias e populistas e na defesa do projeto Europeu promotor da liberdade, da democracia e união entre os povos. Foram unanimes na condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia e na manipulação da religião para fins políticos.

A identidade cristã destas Igrejas é assim moldada pelos seus próprios compromissos de Missão no contexto social e religioso Europeu. O modo como expressam o seu amor a Deus amando o próximo e como servem a Deus servindo os mais necessitados identifica e expressa a sua fé. Por sua vez a riqueza única das liturgias anglicanas que celebram e o modo como proclamam Cristo Ressuscitado, capacita-as para o serviço ao mundo de uma forma particular. Deste modo as Igrejas e os cristãos anglicanos na Europa Continental têm um contributo único e valioso a dar à Identidade Anglicana e a toda a família da Comunhão Anglicana.

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